quinta-feira, janeiro 21, 2010

SINGLES

Anos 90. A década das tendências. O terror de fim-de-século. A ressurgência do mito dos vampiros. O punk-gótico. A música eletrônica. As profecias do Armageddon. A seleção de Camarões. Tênis All Star, jeans surrado e camisa preta. O grunge. Assim foi a década mais marcante (e a que melhor traduz minha personalidade) da minha corrente juventude. Apesar de viver meus 22 anos agora, nos chamados anos 00, foi 1990 que formou minha identidade.

Direção de Cameron Crowe, Singles (Vida de Solteiro, 1992) é o filme de quem viveu esse momento. Conta a história de um grupo de pessoas, moradores de um prédio em Seattle, envolvidas entre si em relações amorosas e de amizade. Steve Dunne (Campbell Scott) conhece Linda Powell (Kyra Sedgwick) em um show de rock (Alice in Chains tocando Would) e se apaixonam gradativamente. Entretanto, Linda tem medo de se envolver de modo profundo, devido à suas antigas relações fracassadas. Steve é vizinho de Janet Livermore (Bridget Fonda) e Cliff Poncier (Matt Dillon). Janet namora Cliff e é obcecada por ele, enquanto Cliff só quer uma relação aberta, dá mais importância para sua banda (interpretada pelos integrantes do Pearl Jam) que para a louquinha de sua namorada. Janet já namorou Steve, mas hoje eles só conseguem ser grandes amigos, dando apoio um ao outro em suas dificuldades amorosas. Paralelamente a essa trama de relações, outra moradora do prédio, Debbie Hunt (Sheila Kelley), procura por quem possa produzir um vídeo seu para servir de apresentação para seus pretendentes.

Em meio à comédia romântica, podemos curtir durante o filme uma trilha sonora nostálgica. Em certo momento, num bar, você pode ouvir  State Of Love And Trust do Pearl Jam e não prestar atenção às falas dos personagens enquanto o Vedder berrar. No show que une Steve e Linda, você assiste a um trecho memorável com o Alice in Chains cantando Would. Em outro show, há o Soundgarden. Além disso, durante a história você pode, de repente, se deparar com um coadjuvante pertencente a alguma das bandas expoentes do grunge, como a banda de Cliff, que é na verdade o Pearl Jam, ou um roqueiro qualquer que se trata de Chris Cornell. Sem contar as inúmeras referências ao movimento grunge por todo o filme em camisas, cartazes ou situações.
Singles é uma comédia romântica em estilo antigo. Consegue ser romântica e engraçada sem apresentar a plasticidade das comédias românticas mais atuais, com suas situações artificiais e forçadas. Não, em Singles tudo parece mais verossímel pela simplicidade que o diretor deu às cenas. Nada de humor exagerado. Os personagens tomam atitudes que você ou eu faríamos (ou mesmo, já fizemos). Então, de repente, alguém telefona pra casa de seu interesse romântico depois de uma bebedeira e uma dor-de-cotovelo e se declara desesperadamente para a pessoa. Totalmente normal! As seqüências de situações corriqueiras na vida do grupo de personagens dá ao filme identificação e empatia com o expectador.
Outra idéia interessante e extremamente simples, mas que dá um gosto singular para o filme, são as cenas de depoimento. As histórias são intercaladas por cenas em que os personagens parecem falar diretamente a quem está assistindo. Não como se falassem consigo mesmas, mas como se realmente conversassem com o expectador. Por exemplo, em um desses depoimentos, o Steve reclama com o Cliff para ele fazer menos barulho, pois estava atrapalhando e volta a conversar com a câmera. Nada muito incrível, mas deixa uma marca especial no filme e é divertido!
Um ponto que pode parecer uma ponta solta é a personagem Debbie Hunt. Sua história não tem relação direta com a história principal (como tem a relação de Janet e Cliff), parece totalmente solta no filme, mas torna-se interessante em seu desfecho pela pequena mensagem que aparenta passar.
Enfim, o filme não é nenhuma pérola das produções ou um orgasmo intelectual para os cinéfilos, mas agrada pela sua simplicidade e, talvez em grande parte, por remeter ao cenário musical do início dos anos 90. O movimento grunge é retomado no filme diversas vezes e sua trilha sonora é espetacular. Se encontrar na locadora, tv a cabo ou internet, assista! Diversão garantida.

Momento curiosidade
No filme, há um cartão-postal que tem destaque na história, cuja imagem estampada é um beijo romântico numa rua espanhola. O detalhe é o beijo entre Linda e Steve que aparece no pôster do filme: uma reprodução da foto do cartão-postal.

A foto do cartão-postal...
...e o pôster do filme. Beijos iguais!

Três músicas marcantes do filme

1. State Of Love And Trust (Pearl Jam): porque dá vontade de cantar junto com o Eddie Vedder sempre que toca essa música.
2. Would? (Alice in Chains): a cena do show em que os caras do Alice in Chains tocam pessoalmente a música é marcante.
3. Dyslexic Heart (Paul Westerberg): bem, essa é a trilha sonora oficial, é grudenta e legalzinha (apesar de ficar chatinha depois de ouvir algumas vezes).





"You rock my world!" (Cliff para Janet, Singles)

2 comentários:

  1. Rock, romance e comédia... acrescente uma xícara de café quente e terá uma combinação perfeita!rsrsrs
    obs.: assista com acompanhante!

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  2. Todo mundo sabe que rock combina com sexo e drogas, mas rock, romance e comédia é uma tríade nova... e que deu certo! Ao café e à companhia, eu acrescentaria aquela velha camisa de flanela, o jeans desbotado e um all star sujo...

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